Comunicar no nosso mercado ou com o nosso mercado?

Vamos tentar iniciar aqui uma série de publicações para apoiar/ajudar quem procura uma agência (ou alguma forma de colaboração externa à organização) ou desenvolver actividades de comunicação para o seu negócio internamente.

Não vamos dizer que vamos colocar aqui "conselhos", até porque poderia parecer que estaríamos a defender uma "causa própria" ou a "vender a nossa sardinha" (como estamos nos santos populares).


Sempre que possível iremos recorrer a artigos ou livros para nos "isentar" em termos de opinião, e para que quem vai lendo estas nossas publicações possa retirar valor sem ter receio de que não estejamos a ser (dentro do possível) imparciais nas informações e dicas que vamos proporcionando.


Motiva-nos estas publicações o facto de muitos clientes ficarem surpresos com as nossas sugestões ou aconselhamento, e com a necessidade de realizar mais tarefas para além do design de um anúncio, a realização de um filme ou mesmo a activação de um conjunto de perfis e páginas numas quaisquer redes sociais.

Surpresa essa que nos parece surgir de alguma falta de informação sobre a actividade relacionada com a comunicação e o marketing.


Não devemos, como por vezes há a tentação nomeadamente no arranque de projectos ou acções individuais, separar a comunicação em silos: impressa, digital, vídeo, RP, atendimento ao cliente, etc.

A comunicação é um todo no que se refere a uma entidade ou a um produto/serviço. Tudo interage com os seus públicos e são pontos de contacto.


Comecemos com algumas premissas, ou pressupostos, que todos os projectos (como o lançamento de um novo produto ou serviço), negócios e organizações, mais pequenos ou maiores, devem ter presente quando investem na comunicação com os seus públicos:


#1 - "O que pode ser medido, pode ser gerido"


Investir em comunicação nos dias de hoje, e feito de forma adequada às necessidades de cada negócio, tem a possibilidade de ser medido e de se conhecer qual o retorno no investimento realizado (ROI) e proporciona a oportunidade de seleccionar as soluções que estão a funcionar, e a trazer resultados, e as que não estão (podendo pará-las para corrigir ou encerrando-as quando necessário).

Isto é particularmente relevante nas soluções em que haja recurso ao digital.


Mas alguns factores concorrem para que esta medição possa ser realizada:

  • que se defina qual o propósito/objectivo das actividades (e a interacção com as restantes actividades de comunicação - definir objectivos SMART;

  • que haja objectivos quantificados do que se pretende atingir (estes podem assumir diversas formas, sejam número de clientes, área geográfica, obtenção de "leads", etc. Os KPI);

  • que se conheça quem se quer atingir;

  • de que forma se pode medir cada uma das actividades (soluções e ferramentas que medem e como o fazem);

  • quais as formas de medir e analisar esses indicadores.


No entanto, para ter uma boa noção das soluções de monitorização dos investimentos digitais, há sempre a necessidade de investir em soluções tecnológicas que optimizem essa informação (pelo menos quase sempre).

Nunca se esqueça, que se for a fazer de outra forma (ou quem está a fazer o trabalho consigo) gasta tempo e tempo é dinheiro.


As soluções que são "grátis" em termos de investimento (que são raras ou não existem mesmo hoje em dia - pelo menos nunca lhe vão dar toda a informação que lhe seria útil) implicam também um dispêndio de tempo, o que representa um custo/investimento por vezes bem maior (o que quer dizer euros) - se não for assim, significa que o seu trabalho por hora vale bem pouco e em vez de se concentrar naquilo que é o seu negócio, dispersa e tem de fazer muitas tarefas sozinho (e ainda ir aprendendo).


E se há coisa que cada vez mais devemos ter consciência (e a pandemia aumentou essa questão com o recurso de muitos ao digital) é que os tempos em que o digital era uma solução "grátis", ou pelo menos "de baixo custo", já passaram.


#2 - "Investir em conhecimento resulta em poupança"


Esta questão coloca-se face à necessidade em conhecer bem os seus públicos.

Quem são, quantos são, por onde andam, o que preferem, etc.

Por vezes pode parecer que as empresas de MarCom (Marketing e Comunicação) estão só a tentar "cobrar mais uns euros".

Mas o que deve desconfiar é mesmo daqueles que apresentam soluções para públicos que não sabem quem são, nem onde estão. Ou mesmo quantos são.

E que também não apresentam uma solução para obter e colectar essa informação.


Se não planeiam e estudam as soluções para si, vão fazer algo semelhante a "testar até acertar".


Quando não o fazem só quer dizer que: ou vai ter um crescimento das facturas dos meios digitais para conseguir chegar a quem lhe interessa e atingir os seus objectivos; ou vai investir e perder dinheiro pois aquilo que se chama o ROI (Return On Investment, ou Retorno do Investimento) não vai acontecer.


No fundo vai (ou aqueles que contratou) andar a "disparar" para todo o lado na esperança de atingir um "alvo" que tenha interesse no seu produto ou serviço e por acaso "se atravesse" à sua frente.

Porque no fundo é simples, é preferível um bom, mesmo que mais longo, planeamento (porque a fase de planeamento é sempre mais económica que campanhas e acções falhadas), do que passar etapas e tentar implementar soluções sem saber muito bem o que está a fazer ou para onde se quer ir.


Como tínhamos referido que iríamos utilizar fontes que não a nossa experiência, aqui fica uma: o autor Allan Dib (no livro o "Plano de Marketing de 1 Página") dá um bom exemplo a esse respeito e neste âmbito.


Quando vai construir uma casa (ou qualquer tipo de estrutura similar) não vai à loja e compra um monte de tijolos, uns sacos de cimento, mais uns equipamentos (que podem nem ser os mais adequados) e começa a construir umas paredes a ver se a coisa resulta, certo?


Chama um arquitecto, um engenheiro, desenha e planeia todas as necessidades, sejam elas de estrutura e fundações, assim como de materiais; faz um orçamento com base e um plano de actuação; depois chama um construtor que saiba o que faz e respeite os cálculos do engenheiro e a ideia do arquitecto, e começa a construir.

Pede as licenças, não tenta utilizar uma solução "pirata" para resolver o problema...


Isto se não quer que a casa caia e magoe alguém, ou lhe mate o negócio.


Outra questão igualmente relevante é: "Não tente vender nos seus anúncios".

Pode parecer estranho, mas quando ler o livro vai ficar ainda mais claro.


Vivemos num mundo cada vez mais saturado de tentativas de vender soluções e de mensagens de comunicação.

Se não tem uma história para contar, ou uma proposta de valor a apresentar, tem de procurar construir alguma forma de relação com os seus potenciais interessados.

Mais uma vez a necessidade de obter informação e conhecimento é relevante:

  • Conhecer os seus "pain points" (as suas "dores" e o que podem procurar na sua solução);

  • Quais são as melhores formas de os alcançar e de interagir com eles;

  • Como conseguir fazer parte do seu "share of mind" (quota mental dos seus potenciais clientes em que é recordado e passa a fazer parte do leque de opções de compra - sempre que a ocasião chega);

  • Estabelecer uma ponte com os espaços em que estes circulam e oferecer algo que lhes seja relevante e permita fornecer os seus contactos e ou informações (recolher "leads").

O cenário aqui é igual. E por isso nos leva à terceira premissa, que já está um pouco óbvia:


#3 - "Comunique com os seus públicos, não com todos os públicos"


Esta é uma ideia que o mesmo autor nos passa na obra referida.


Mas que é uma realidade desde sempre para quem trabalha o Marketing e a Comunicação de uma forma integrada, correcta e responsável.


Aliás este é um daqueles livros que se recomenda a quem não é da área, e tem um projecto (startup, PME, ideia...).