E agora 2022?

Pois é 2022, como vai ser agora?

Apesar de já termos entrado neste novo ano, as interrogações não desapareceram.


Este ano estamos a sentir-nos mais confusos que nos tempos em que os astrólogos invadiam as televisões e os jornais/revistas com as suas perspectivas de ano novo.


Há muitos tópicos e assuntos que nos deixam na expectativa relativamente ao futuro e ao que nos espera.

Desde a pandemia, à economia, ao desenvolvimento dos negócios, e até mesmo à política e à sua estabilidade (tópico que não vamos explorar por motivos óbvios), tudo parece estar a oscilar.


Depois de anos em que as coisas andaram estáveis (até "sobrava dinheiro" do orçamento de estado, algo nunca visto), voltamos a tempos voláteis.


Tivemos um 2021 que, pelo menos em algumas coisas, deixou a desejar.

E ainda abriu caminho para um ano com este panorama de dúvida.


Será que vamos ver a pandemia transformar-se em endemia e finalmente voltar a ter alguma "normalidade"? Ou tudo volta para atrás?

Como vai evoluir a nossa economia e a dos nossos parceiros europeus, e será que vamos transformar um PRR numa oportunidade? Ou haverá mais desperdício?

Mais uma fase transitória para continuarmos em direcção ao fim da cauda da Europa?

As taxas de juro vão entrar numa escalada, com a subida dos custos de vida, e atirar tudo para mais uma crise de contornos complexos?

A mão de obra está a escassear? Apesar de ainda ninguém ter explicado para onde ela toda foi depois do último confinamento, tem tido impacto em vários sectores.


Já noutros planos também há questões, se bem que menos nocivas.


A tecnologia vai dar mais um salto, após o de gigante em 2020, e com todas as conversas sobre o Metaverso (que afinal até já anda por aí à uns anos), teremos uma disrupção sobre a forma como vivemos, convivemos e fazemos as coisas?


E o que tudo isto representa para as empresas e para as questões relacionadas com o Marketing e a Comunicação?


Será que os consumidores (no fundo todos nós) vamos ter mudanças na nossa forma como encaramos tudo com que somos confrontados?


Já para não falar nas diferenças geracionais, que com a forma como fomos forçados a conviver, apresentam alguns distanciamentos e aproximações, mas que são reflectidas na forma como agimos, consumimos e convivemos.


Vamos por partes, e como estamos numa área de MarCom (marketing e comunicação), vamos nos restringir no que estas questões podem afectar mais directamente esta área.


Deixar de comunicar com os nossos potenciais clientes não nos parece uma opção.


Quem já deixou, tanto quanto é conhecido, nunca teve melhores resultados por causa disso.

Certamente reduziu as suas despesas de investimento, mas certamente não aumentou as suas receitas. Não por resultado desse desinvestimento.


Até porque as empresas e as marcas comunicam continuamente, através de diferentes meios. A questão é se mantêm essa comunicação profissional ou começam a fazer apostas em soluções de remedeio.

Os clientes se deixam de ouvir falar de uma marca, começam a ouvir outra. E numa economia com uma cada vez maior comunicação digital, quem desinveste desaparece.


A potencial instabilidade vai criar situações em que tanto os consumidores como as organizações vão começar uma procura de alternativas.


Nomeadamente se se iniciar uma espiral no que se refere aos custos e à inflação, o que representa uma redução do poder de compra, qual a melhor atitude a tomar?

Que soluções?


A primeira atitude, é começar, desde já, a desenvolver planos estratégicos relacionados com os cenários macro.

É certo que é algo que, no nosso país, não está na nossa cultura ou prática.

Também muitos exclamam prontamente que somo um país de pequenas empresas, e que na sua maioria não tem recursos. O que apesar de ser verdade, não deixa de ter soluções.


Haverá, também, os que vão recorrer ao argumento da descapitalização decorrente de dois anos de pandemia. O que também é um facto e um desafio.


Mas se há a possibilidade de recorrer a linhas de financiamento e apoio, nomeadamente para a contratação de consultores e a dinamização das organizações, para quando deixar a aversão à utilização desses recursos?


As empresas maiores não deixam de recorrer a esses apoios. Chegou a hora de as mais pequenas fazerem o mesmo e começarem um processo de modernização sério e real.


O planeamento de Marketing é uma mais valia. Principalmente se não for parar a uma gaveta para ganhar pó. Até porque permite analisar e perspectivar cenários e as eventuais medidas a tomar.



Para além da perspectiva mais economicista, este tipo de planeamento, se desenvolvido por equipas competentes, vai proporcionar a possibilidade de definir objectivos, metas e formas de os alcançar.

Para quem levar esta abordagem a sério, ainda vai proporcionar a possibilidade de unir os esforços internamente, que é uma atitude que pode valer mais do que 10 campanhas mal desenhadas ou com grandes orçamentos.


Lembrem-se sempre que é preciso pensar em algo maior que "a nossa rua".

As empresas grandes não cresceram só porque "tiveram sorte", ou porque lhes "emprestaram dinheiro" (mesmo que se ouça falar de casos desses).

Na perspectiva da comunicação, se o raciocínio fosse esse, uma empresa grande de bebidas (sim, aquela...) não fazia publicidade nem gastava dinheiro em televisão.

Nem investia milhões em departamentos de marketing ou agências.


Por isso para preparar é preciso planear e projectar o que de melhor, ou de pior, pode vir a acontecer. Todos os cenários valem.


Neste ano de 2022 algumas coisas para as quais podemos traçar cenários, serão:

  • A pandemia não vai desaparecer (no melhor cenário fica endémica; no pior temos uma nova variante), como isso pode afectar o negócio?;

  • Os juros sobem e afectam os custos em termos de instalações e de matérias primas (avaliar se haverá interesse, ou possibilidade, de proceder a uma alteração de localização. Mas no processo de escolha, pense também naqueles que trabalham consigo). Como posso arranjar alternativas de fornecimento?;

  • Os recursos humanos existentes respondem às necessidades do negócio? Se perder alguns deles, o que pode acontecer? (não há insubstituíveis, mas alguns parecem. Reter um elemento valioso é mais barato do que encontrar e treinar alguém novo);

  • Os meus clientes têm uma quebra no seu poder de compra. Posso ajustar os meus preços? Que mercados é que é possível entrar para compensar eventuais perdas (deixar para mais tarde... vai ser tarde);

  • Como é que é possível construir uma relação com os meus clientes e todos os que fazem parte da vida da organização (houve quem lhe desse um nome, os "stakeholders")?

  • Havendo uma mudança de políticas, como é que isso pode afectar a organização (não é fácil a preparação para esta, mas fazer de conta que não pode acontecer ainda pode ser pior);

  • Que impactos podem vir de outros países que me afectam? (um exemplo simples é, para quem é do turismo, a impossibilidade do seu cliente habitual viajar. Um problema que requer solução...);

  • Como posso melhorar e optimizar as operações da empresa? (pode poupar dinheiro, e provavelmente dar mais tempo a todos para procurarem alternativas e soluções dentro da organização. Ou até dar tempo livre - alguém motivado trabalha o dobro. Experimente!);

  • Posso comunicar melhor a minha marca, produto ou empresa? Certamente que poderá sempre implementar melhorias. E sem medo do que não conhece. E pensar "os outros vão fazer o mesmo" (ou já fazem), não vale a pena. Até porque eles não vão fazer! Não todos.

  • Abrace o digital. E não é só para fazer umas publicações nas redes sociais. Mas se o fizer, faça-o de forma estruturada e de modo a conseguir manter um relacionamento com os seus actuais ou potenciais clientes (e isso vai exigir tempo e esforço. Mas sem trabalho...). A questão é que esta adopção do digital está intimamente ligada com a questão de optimizar as operações e as soluções da organização (referidas anteriormente).

A esta altura está a pensar "mas o que tem tudo isto a ver com o marketing e a comunicação?". E a resposta é "Tudo!"


Não querendo entrar noutros campos neste artigo, o marketing é uma disciplina bastante mais vasta do que é associada normalmente.

O marketing não é "publicidade" ou "fazer umas publicações e anúncios no digital".

Todos os tópicos que foram sendo questionados caem na esfera do marketing. E como ferramenta do marketing, na comunicação (que também esta não é só a publicidade).


E em tempos de incerteza a melhor aposta é no que se pode chamar de "investimento em contraciclo". Adiantar-se à concorrência e antecipar movimentos no mercado.


E agora 2022? Vamos tratar de melhorar a competitividade e ultrapassar todas estas perspectivas.

Porque se tudo correr pelo melhor, o que pode acontecer é "cavalgar a onda" de forma ainda melhor do que seria expectável.

Será gerar sucesso e melhorar as possibilidades e os horizontes neste futuro de doze meses (agora menos um bocadinho).

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